O esporte nacional perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas. Faleceu nesta sexta-feira (16), aos 85 anos, o mestre Chiaki Ishii, responsável por abrir o caminho das conquistas internacionais do judô do Brasil. A causa da morte não foi divulgada pela família.
Trajetória, pioneirismo e conquistas nos tatames
Nascido em Ashikaga, no Japão, Ishii desembarcou em solo brasileiro na década de 1960 após não obter vaga na equipe nipônica para os Jogos de Tóquio-1964. Trabalhou como agricultor no interior paulista antes de retomar a dedicação exclusiva às artes marciais. Naturalizado brasileiro em 1969, dominou os torneios nacionais, sul-americanos e pan-americanos.
Sua consolidação internacional ocorreu em dois momentos históricos: em 1971, ao faturar a medalha de bronze no Campeonato Mundial de Ludwigshafen (Alemanha Ocidental) — a primeira do país no torneio —, e em 1972, ao subir ao pódio com o bronze na categoria meio-pesado nas Olimpíadas de Munique. Esse resultado inaugurou a vitoriosa tradição da modalidade, que hoje soma 28 medalhas olímpicas na história do esporte brasileiro.

Formação de atletas e homenagens da CBJ
Após encerrar a carreira competitiva, o mestre dedicou-se ao ensino na sua tradicional academia na Lapa, em São Paulo, onde contribuiu para a preparação de nomes ilustres do judô nacional, como os medalhistas olímpicos Walter Carmona e Rafael "Baby" Silva, além de suas filhas Tânia e Vânia Ishii, que também representaram o Brasil em Jogos Olímpicos.
Em nota oficial, a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) manifestou pesar e destacou o caráter transformador de sua trajetória:
"O judô brasileiro está de luto. A Confederação Brasileira de Judô lamenta profundamente o falecimento do Sensei Chiaki Ishii. Sua trajetória é marcada pelo pioneirismo, pela dedicação incansável ao judô e por um legado incalculável dentro e fora do tatame", destacou a entidade.
Honrado com o 9º Dan (grau máximo de maestria no judô), Ishii integra o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e recebeu o prestigiado Troféu Adhemar Ferreira da Silva em 2023.













