Registros de conversas por aplicativo de mensagens apreendidos pela Polícia Federal (PF) no aparelho celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro trouxeram à tona detalhes de um evento realizado em São Paulo. Segundo reportagem da revista piauí, respaldada por materiais da investigação, o antigo controlador do Banco Master organizou e custeou uma recepção em seu apartamento triplex no bairro do Itaim Bibi, na véspera do Carnaval de 2025, tendo como convidado o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques.
Preparativos, contratação e relatos do evento
As trocas de mensagens, datadas do final de fevereiro de 2025, detalham a logística da recepção. Vorcaro acionou uma agenciadora para a contratação de acompanhantes e solicitou a presença de um chef de cozinha especializado, cujas despesas com insumos alimentícios ultrapassaram a marca de R$ 21 mil.
Durante a realização do evento, diálogos entre o empresário e seus funcionários relatam a chegada das convidadas e a dinâmica na residência. Relatórios enviados pelo mordomo ao proprietário do imóvel descreveram a permanência dos presentes nas dependências do apartamento e a movimentação no local ao longo da noite, incluindo registros fotográficos encaminhados posteriormente sobre a organização da estrutura.
As apurações apontam ainda que cobranças posteriores referentes aos serviços prestados pelas acompanhantes foram direcionadas a Vorcaro via mensagens eletrônicas na semana seguinte ao encontro.


Posicionamento oficial do magistrado
Em resposta às divulgações, a assessoria do ministro Kassio Nunes Marques emitiu nota oficial refutando veementemente qualquer conduta imprópria ou favorecimento judicial ao ex-banqueiro, que se encontra preso desde março em decorrência de apurações sobre o Banco Master:
"O ministro Kassio Nunes Marques nunca votou a favor de Daniel Vorcaro (inclusive deu voto pela manutenção da prisão), nunca trocou mensagens com ele e nem pediu nada ao banqueiro. O ministro também nunca autorizou ninguém a falar em nome dele e não pode se responsabilizar por conversas ou ações de terceiros. Seu filho nunca recebeu nada do Banco Master. A matéria referenciada faz ilações e tenta relacionar tais diálogos com a atuação na Presidência do TSE, numa tentativa de fragilizar a condução da Justiça Eleitoral."













