Em investigações da Polícia Federal que culminaram na Operação Backbone, foi constatado que criminosos armados cortam cabos e incendeiam caixas de distribuição de empresas regularizadas para forçar a população a contratar provedores clandestinos controlados pelas facções. Com mensalidades que chegam a R$ 154, cobranças por qualquer manutenção e serviços de péssima qualidade, a população relata viver sem alternativas sob clima de intimidação.
A exploração do serviço de internet tornou-se uma das principais fontes de renda e controle territorial de organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, deixando milhares de cidadãos sem o direito básico de escolha.
Cortes de cabos e monopólio forçado
Conforme os relatos colhidos pelo RJ1:
- Expulsão de operadoras legais: Em bairros como Engenho da Rainha, Benfica e municípios como Itaboraí, grandes empresas de telecomunicações foram boicotadas e impedidas de realizar reparos.
- Relatos de vítimas: Moradores contam que pagavam cerca de R$ 70 por planos regulares e agora são forçados a desembolsar até R$ 120 ou R$ 154 por conexões instáveis, além de multas e taxas abusivas de instalação e troca de equipamento.
- Falta de assistência: No Engenho da Rainha, a rede clandestina conhecida como "Oliver Net" deixou de funcionar há mais de um mês, sem que os clientes tivessem a quem recorrer para reestabelecer o sinal.
Reação das forças de segurança

Segundo detalhado pelo g1, ações policiais simultâneas foram deflagradas para desmantelar o esquema financeiro das facções:
- Operação da PM na Vila Kennedy: Nesta terça-feira (20), a Polícia Militar prendeu cinco suspeitos e apreendeu dois fuzis e drogas, atuando no combate à exploração irregular de internet na Zona Oeste.
- Operação Backbone da Polícia Federal: Realizada na segunda-feira (19) nos complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, a ação cumpriu mandados de prisão contra 20 pessoas. Entre os detidos estão Márcia Gama Nepomuceno e Lucas Nepomuceno (mãe e irmão do rapper Oruam), o vereador Fábio Silva (Podemos) e nova ordem de prisão contra Marcinho VP, um dos líderes do Comando Vermelho.
A Conexis Brasil, entidade representativa das empresas de telecomunicações, alertou que os bloqueios territoriais colocam em risco a integridade física de técnicos e exigem atuação integrada e firme do Estado. A Polícia Civil e a PM informaram que mantêm investigações diárias para mapear e combater as extorsões praticadas contra moradores e empresas do setor.













